quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Alguns humanos são assim...

Cansa ser de ferro. Cansa ser forte. Cansa ser compreensivo, paciente, amigo. Cansa mesmo ser gente. Porque ser gente custa caro pra alma. Quanto maior a doação, mais gente você se torna; e quanto mais gente, mais abandonado. De fora, as pessoas enxergam a fortaleza que forjaram ao seu redor, esquecendo-se de tudo que se lança mão para amparar o outro as vezes. Porque ninguém é forte o tempo todo, muito menos nos momentos de fraqueza alheia. Mas uma vez forte, corajoso, os olhos ao redor criam um escudo à sua volta que, embora seja lisonjeiro, não é tão real. Você se torna tão autossuficiente diante dos demais que perde o direito de sentir-se como eles. E ser sobrenatural dói. Mas por incrível que pareça, quanto mais se preocupa com os outros, mais mortal se torna. Pena que ninguém nota isso. E quanto mais mortal, mais dores sente, mais carências, mais solidão, mais necessidade de aconchego, compreensão. Mas a falsa casca da valentia recobre tudo isso, e ninguém ousa tocá-la, parece aço. Mal sabem! É uma casca de ovo, um vidro fininho. Então, sem colo, sem abraço, vão acumulando-se os sentimentos mais bobos, mais infantis, todas as inseguranças, até que a vida passe e te ensine a curar suas próprias feridas, em silêncio, isoladamente, sem a chance de ser simplesmente gente - ainda mais frágil e necessitado do que todos aqueles a quem amparou.


Inspira-me

Eu não quero me inspirar em nada.
Eu quero ser a vítima da inspiração,
Capturado!
Não quero procurar em volta
Algo para escrever, sonhar, esquecer...
Quero ser pego de surpresa,
Ser fruto de súbito criar.
Não pretendo esperar o olho brilhar.
Anseio por sentir
Algo mais forte e fiel do que enxergar.
Espero pelo vulto de insensatez
Que consiga me arrastar,
Que me faça largar tudo por um instante
Pra me saciar.
A irresponsabilidade involuntária ainda não chegou.
Não senti a batida do desespero inexplicável
Por algo que não tenho,
Nem estou.
Sei que existem mil saídas para escapar,
E não pretendo deixar o movimento do mundo,
Só quero adquirir o instinto de saber
Quando a vontade for mais forte,
Voar!

Um ensaio para a vida

   É estranho você estar em uma prova que vale seu destino, numa hora dessas dá vontade de surtar, jogar tudo pro alto, arriscar. Mas brincar com uma escolha séria não parece uma séria escolha. Por isso faço o que devo, sigo corretamente o raciocínio marcando corretamente as opções, opções de vida.
   Tempo psico-cronológico passado, não tanto, já acabei. O sol das 16 desponta no horizonte. Agora só me resta esperar, esperar pelo resultado tardio, esperar pela autorização de deixar esse ambiente de tensão e stress, já que os candidatos demonstram claros sinais de cansaço  e até dispersão.
   Bem que se diz que o ócio produtivo nos faz render, minha mente passa a fervilhar, penso, penso, peeeeenso. penso nos objetivos, na minha coluna que dói a beça, penso nos outros, os meus outros, em como devem estar se saindo. Consigo visualizar alguns fazendo a prova, subjetivamente , é claro! Pensamento cortado; barulho alto, estridente e irritante, um garoto, do tipo que não se importa com os outros e nem mesmo sabe classificar sua posição perante o teste, loser, diz sua testa. Meu Deus, tá certo que temos fome e a ansiedade acelera ainda mais a digestão, fazendo com que  comamos mais e mais. Mas, trazer uma SACOLA com dezenas de guloseimas barulhentas é sacanagem, a embalagem atrapalha toda a sala...
     Sem medo ou descrição encaro-o com uma expressão de: Qual é a sua? tá incomodando a galera não "tá" vendo?  Seu tênis me chama a atenção, realmente gostei, tinha visto na loja.... Mas dele não posso com certeza dizer o mesmo.
     Muitos saem da prova, deixando para trás a única forma de diminuir a preocupação.
    Como as ideias já parecem não saírem no mesmo fluxo, graças a meu esgotamento e ter sido disperso pelo garoto inconveniente; vou terminar aqui desejando que eu tenha  ido bem e que continue amanhã também. E que esse tenha sido um ensaio para a vida  e como diz a capa do caderno de questões Cada coisa tem seu tempo a seu tempo. É tempo de entregar a prova e rumar para a casa.