quinta-feira, 19 de julho de 2012

Queria Alguém


                                                   Queria alguém, sei la, só para ter ou para amar.

     Tenho uma força gigante por dentro que me faz ter paciência e muita calma em esperar um alguém chegar, não é que eu esteja desesperado para amar assim mas é porque nessa vida nós passamos por tantas coisas, e seria bom ter alguém para contar nas horas difíceis. No coração cada um tem seu espaço, família, amigos e amores, quando um espaço esta em aberto isso começa doer e atrapalhar a convivência com todos os outros que já ocupam seus devidos lugares. Uns chamam e necessidade desesperadora, mas eu prefiro chamar de carência. Eu sou carente e gosto de ser assim, zelo, prezo e desejo sentimentos bons!
     Quando estamos precisando de alguém a nossa imunidade fica tão baixa a ponto de nos apaixonarmos por qualquer pessoa e colocamos uma intensidade absurda, achando que realmente encontramos o amor de verdade, então nós depositamos toda a confiança, amor e respeito para quem no final nos decepciona por qualquer merda numa balada que foi com os amigos. E nossos sonhos vão embora por causa de uma noite, uma merda, uma balada e uns amigos. Sempre foi assim, e claro que tudo seria mais fácil se viesse escrito na testa quem presta e quem não presta. Mas do jeito que sou, seria bem capaz de querer passar corretivo em cima de quem não presta só para fazer prestar.
      Eu queria é alguém agora que tivesse a voz bem calma e poderia até ser um pouco roca, ter 1,70 de altura no máximo, alguém que tivesse um coração bom e que pudesse me entender, pois eu tenho uma necessidade compulsiva, intensiva, absurdamente de ficar perto de quem eu amo. Eu acho que a partir do momento que você passa amar alguém, você precisar estar junto sempre e claro que não é para sufocar, mas é para entrelaçar os braços no pescoço e beijar muito. Eu queria alguém, é só isso que desejo no momento, pode ser que daqui alguns anos eu queira outras coisas, mas no momento eu queria um alguém que ficasse.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Decidiu não decidir


           Estava pra nascer uma pessoa indecisa como ele. Ele, que, por sinal, já tinha nascido indeciso: recebeu de seus pais um nome duplo e não conseguiu decidir se é melhor se apresentar com o primeiro ou o segundo nome. anos se passaram e a dúvida permanece.
Na escola, o primeiro nome era o preferido dos amigos. Em casa, era conhecido apenas pelo segundo nome, quase sempre usado no diminutivo, coisa que persiste até hoje, afinal, as mães teimam a entender que sim, os filhos crescem.
         Ele demorou a perceber que essa sutileza de seu caráter, essa indecisão intrínseca ao seu modo de vida, vinha de cedo. Nada poderia exemplificar de maneira mais precisa essa sua natureza indecisa do que o fato de, após apelidos, diminutivos e alcunhas, permanecer a dúvida a respeito de qual nome utilizar.
Todo mundo sabe quem é. Todo mundo, entre milhões de apelidos que podem surgir em casa, na escola, no trabalho, no futebol, na cama, sabe como prefere ser chamado. Todo mundo menos ele.
         Não que ele pense nisso 24h por dia. A dúvida só surge de fato quando ele precisa se apresentar a alguém.      A cena é clássica: naqueles breves instantes entre a esticada da mão (ou a esticada do pescoço, para dar um beijinho de bochecha) e a abertura da boca para proferir seu nome, a dúvida, tal qual um morador com dor de barriga faz com a porta de sua casa quando percebe que esqueceu a chave, bate incessantemente. Quem ele vai ser dessa vez?
        A indecisão (e talvez a loucura, diga-se de passagem) fez com que ele criasse teorias acerca de sua personalidade. Definiu que o primeiro nome era mais introspectivo, mais sério, mais calça de moletom e tabuada do 7. Já o segundo era mais de esquerda, mais dos telefonemas de telemarketing, mais da vida. Julgou que ter dois nomes significava que ele poderia ter também duas personalidades. A verdade é que mesmo se tivesse apenas um nome, continuaria tendo múltiplas personalidades. A desculpa dos nomes, pelo menos na cabeça dele, é que servia perfeitamente para a ausência de decisão que permeava a sua, ou melhor, as suas existências, já que não era um, senão dois.
        Em momentos de indecisão, essa teoria dos nomes e das personalidades ganhava força na mente dele.  Quando importantes decisões demandavam sua atenção, ele ficava mesmo era pensando nessa coisa dos nomes, nessa coisa da indecisão que nasceu com ele, muito antes de que ele pudesse ter percebido que era assim, e nada poderia fazer para mudar. Quer dizer, até poderia fazer alguma coisa para mudar isso. Ele é que não sabia, dentre as muitas opções, qual escolher.