quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cadavérico

      Ok, eu sei , a inveja ta aí, pra todo mundo ver, seja em fotos de gatos e cachorros, ou em memes, e também vemos conselhos e filosofias de para-choques de caminhões, como: derrube com um sorriso, pise, passe por cima.
     Mas quando você vê ali, a parada acontecendo, meio que na sua cara, te puxando pra baixo, é dolorido, revoltante. A vida tem um curso, siga-a, eu não necessito de você, você não precisa de mim (graças a deus). Agora tentar, por métodos primários e infantis derrubar alguém, é muito baixo, até mesmo pra você. Meu mundinho- palavras suas- já estava em rotação, quando perto dele você chegou e entrou, sem minha permissão, diga-se de passagem, primeiras impressões muitas vezes falham, a minha não falhou, com uma semana de convivência nos estranhamos pela primeira vez, ali foi o ápice, eu já havia decretado sua "extradição", não cumpriram uma ordem minha..... Agora também sofrem as consequências como um cão.
    Não posso fazer absolutamente nada por você e nem faria, pode ter certeza, eu não moveria uma palha, uma pedra. Se eu te desejo algo? Distância e um segredo: O segredo de saber como morrer. Uma morte perfeita. Um belo cadáver.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Como salvar uma vida?

    Dizem que muitas histórias não são retas, como deveriam ser, muitos aspectos deveriam ser levados em conta, há muitos entortadores de histórias por aí. Como eu mesmo digo uma história pra ser perfeita tem que ter curvas.
    Um caso me tocou esses dias, era uma mulher, dona de história não perfeita mas com muitas curvas, curvas com altas periculosidade.
    Eu a conheci na infância, infância remota, daquele tempo que eu mesmo não gosto de lembrar, mas que vira e mexe adentra o presente destroçando e destronando o eu atual. Ok, voltando à mulher, ela era dona de muitas alegrias, literalmente. Era uma pessoa sem tempo ruim, pronta pra ajudar quem pedisse, era completamente louca, louca no bom sentido; óbvio, não sou do tipo de conviver com loucos literais, morro de medo de me encantar e me tornar um deles, pré- disposição não falta. Ela tinha hábitos que faziam alguns, os irritantes conservadores que não conservam nada, olharem para ela com alguns olhos de desaprovação, por incrível que pareça para mim não.
    Uma vez, aconteceu uma daquelas histórias que a gente, criança na época, nunca esquece, na casa em que minha mãe mora, por uma medida de segurança, a porta da frente da casa não tem maçaneta (palavra engraçada, maçaneta), então caso a porta batesse ficaríamos impossibilitados de entrar sem a chave, e isso aconteceu! Eu, minha mãe e não me lembro se meu irmão, deixamos que o vento batesse a porta quando estávamos no lado de fora num dia de chuva, uma chuva não tão fraca. Essa moça, prontamente ofereceu ajuda, como o telefone para ligar para um chaveiro, ou até asilio caso tivéssemos que passar a noite fora de casa. Nunca esqueci aquela boa ação, mesmo que só o telefonema resolveu o problema .
    Agora, descubro que aquela mulher, tão vital, hoje não responde por si, está doente, bem doente, precisando de ajuda, de amparo e de cativo, coisa que os filhos, as únicas pessoas que lhe restam, lhe negam e aqueloutras que lhe viravam o rosto hoje me dia não sabem nem quem é, e nem fazem questão de saber. Invalidez, é isso, infelizmente, que a caracteriza hoje. Isso me doeu, no fundo, mais fundo até que as lembranças da infância. Está chovendo mais do que nunca e acho que um telefonema agora é mais do que necessário.