sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Marchinha?

Foi carnaval, muita festa muita alegria e alguns palhaços no salão- literalmente-
Entre muita gente, muitas fantasias, confetes, serpentinas e aquelas espuminhas, minhas mortais inimigas, eu consegui a proeza de ficar chateado, por algum motivo, que nem eu mesmo sabia.
Desabafei com alguém que me pareceu ter algumas pré- opiniões sobre meu desabafo, ajudou. Muito.
Ah, me lembrei de uma épica marchinha, que insistia em adentrar meus ouvidos nas matinês, onde crianças fofas desfilavam altamente estilosas e contentes.
 A marchinha era mais ou menos assim:
Taí, eu fiz tudo p'rá você gostar de mim
Ah! meu bem, não faz assim comigo não!
Você tem, você tem que me dar seu coração
Opaaaa, quem disse? quem falou isso?
Acostume- se ao desapontamento minha cara, as pessoas não tem que te dar o coração coisa  nenhuma, o coração é uma coisa muito pessoal, se você sai por aí entregando seu coração pra alguém, só por que ele fez algo pra você, tá pedindo pra se fuder, desculpa, mas me parece a única saída.
Continuando na marchinha, tem uma estrofe onde a saudosa intérprete  parece ter acordado para a vida e aprendido a salvaguardar seu coração :
Essa história de gostar de alguém
já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse Nosso Senhor
eu não pensaria mais no amor
Também não vamos radicalizar né minha filha? Pedir ajuda aos céus pra não pensar no amor, aposto com você que você deve ter se apaixonado e amado várias vezes depois disso, tipo... Várias.
Mas beleza, você é famosa e quem sou eu?
Te permito, mas aprenda a lidar com o amor, valeu?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Coisas vãs, coisas não tão sãs

Hoje me deu uma vontade de escrever, sem um tema ou sem um fixo receptor.
Apenas uma vontade de deixar as palavras saírem, seguirem algum fluxo, que sinceramente não sei onde vai dar.
Me lembro de pessoas próximas, mas logo se esvaem da minha mente. Lembro do que Caio diria, sobre o amor, que insiste em não me acompanhar, e sobre a dor, que eu insisto em não abandonar mesmo que de forma que vai além dos meus desejos. Mas ele não saberia como me sinto.
É tão bom realizar suas vontades, como a faculdade que você queria, seus amigos na faculdade que queriam, amigos novos que chegam, amigos velhos que se vão.
Taí, um ponto que me preocupa, amigos velhos que se vão.  Porque se vão? Por que ao entrarem num relacionamento, ás vezes se esquecem de todas as promessas, de toda necessidade que temos de sempre correr pra alguém quando algo der errado.
Queria tanto ajudar, mas a paixão,amor, ou sei lá o que é aquela obsessão  toda, aparente cega.
Uma dor latejante acaba de se instalar na têmpora direita, fazendo com que só ela seja sentida, imaginada e que minha atenção se vire toda pra ela.
Dor dolorida, dor que assola, dor que tira o sentido e a luz das coisas, é ai vem uma enxaqueca daquelas.
Portanto convém, parar por aqui e tomar alguma coisa pra ver se ela se vai antes de atingir seu ápice.

Carnavalizar é preciso

É carnaval, e a folia....
Uma data marcada no calendário que sempre me traz felicidades, é inevitável, mesmo não gostando de samba, batuque ou qualquer outro ritmo nacional... Esse ano vai ser diferente, espero que seja muito melhor, estou apostando alto, num carnaval entre amigos, sozinhos, independentes e adultos .
Que o som do surdo que atravessa a avenida  me envolva e o passo seja acertado, que a batida adentre as entranhas e lá do fundo brote a alegria, a alegria de poder viver, a alegria de poder estar no lugar onde eu estarei,
Agora, a expectativa toma conta de forma nada ritmada e agressiva.
Que tudo de certo, eu peço ao Ita do Norte que ancorou na passarela

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Não guardar ressentimentos, não guardar.


"Já faz quase três anos", ele disse, num tom simpático. "Não é possível que você ainda tenha raiva de mim!"
"Bom...", tentei contra-argumentar, "não é que eu não goste de você... mas odiar é uma palavra forte, você não acha?"
"Como assim, eu não falei odiar."
Prossegui, sem prestar muita atenção no que ele dizia: "Ninguém aqui tá falando de nojo. Eu não sinto ânsia de vômito toda vez que alguém menciona seu nome numa conversa de bar."
"Quê?"
"Não é que eu olhe pra você e queira socar essa sua cara estranha e desproporcional até ela ficar ainda mais estranha e desproporcional, se é que isso é possível. Quer dizer, eu disse em algum momento que sentia vontade de cuspir em cima de você, com catarro e tudo? Calma aí, né?! Vamos ser sensatos. Não é como se eu desejasse que seu corpo entrasse em algum tipo de combustão interna e você explodisse e começasse a pegar fogo do nada. E depois você ficasse correndo de um lado pro outro, em chamas, urrando de dor, feito um demente dos infernos, que de fato você é. Seu demente dos infernos."
Ele ficou mudo.
   Eu sorri e dei dois tapinhas em seu ombro, como quem diz "desejo tudo de melhor pra sua vida". Vocês sabem, não sou de guardar rancor.
                                        

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Adorável psicose na casa ideal

                                            


Se os corações fossem pequenas casas, a cada pessoa seria destinado um cômodo.

A grande maioria jamais passaria da cozinha. Ficaria por ali, perambulando, à espera de um convite para a disputada sala de estar, onde tudo supostamente estaria acontecendo.
Enquanto isso, algumas pessoas seriam encaminhadas à área de serviço, onde tentariam colocar as coisas em ordem. Iriam lavar, passar, limpar. Tudo para agradar e, quem sabe, ser recompensadas. Mas, mesmo que o dono da casa as tratasse com carinho, no fundo, elas saberiam o seu lugar. 
Os que forçassem a entrada seriam mandados diretamente para o banheiro, onde ficariam presos até que o proprietário decidisse dar ou não a descarga final.
Aos poucos sortudos, caberiam os quartos. No plural, porque o dono da casa saberia que, ao longo da vida, iria receber mais de um hóspede importante.
Alguns seriam jogados no lixo, é triste admitir. E depois seriam levados para fora de casa, em grandes sacos pretos. Outros até trocariam de cômodo. Dentre os festeiros da sala, um deles poderia passar a noite no quarto. Talvez mais de uma. E, talvez, depois de várias noites, esse mesmo indivíduo poderia acabar indo embora pela descarga.
Não existem regras definidas para o funcionamento dessa pequena casa. Uma mesma pessoa pode ocupar diferentes cômodos em diferentes corações. Você pode estar fadado à área de serviço de um, mas também pode ocupar a suíte master de outro. 
Todos nós, se já não estivemos, ainda estaremos em cada um desses lugares e experimentaremos a frustração de não nos sentirmos devidamente alocados. Mas, com sorte, também saberemos como é bom ser escolhido para um cantinho quente e protegido da casa.
De todo jeito, a maneira mais surpreendente de se conquistar um coração é quando você entra pela área de serviço, de mansinho. Sem muito alarde, você chega até a festa da sala e, pouco a pouco, acaba se destacando entre os demais convidados. Quando menos espera, sua escova de dente já está no banheiro. Abrir a porta do quarto agora é uma mera formalidade. Porque, a essa altura, a casa inteira também é sua.