É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto. Ela vem de outras terras, com outros hábitos, sotaque e histórias, eu aqui num mundo de sempre cercado dos meus, protegido.
Acontece. Uma troca de palavras, ai, vira uma amizade forte, franca, engraçada, pelo menos pra mim. Sua personalidade atrasada me cativa de forma arrebatadora. Adoro reclamar sobre a lenteza de seu raciocinio e a despreocupação com suas próprias coisas além da irritante mania de perder tudo... Mostra- se capaz de ser agressiva e forte o bastante para me por em solo as vezes...
É, ela é assim linda, tão linda, querida como um outro alguém não merecia ser...
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