segunda-feira, 2 de abril de 2012

Que falta faz.

Tava lembrando da vida, eh, da vida, essa gaita rouca que insiste tocar e me atrapalhar os sentidos, devido a uniformidade do som. E nesse pensar tão despretensioso, retorno ao passado e me lembro de coisas que não vou ter nunca mais,  sim, dessas eu posso dizer com força e clareza. Nunca mais .
 Tá fazendo tanta falta aquele cheiro de lanche na sala do maternal, onde as lancheiras eram o gritar da moda, e as crianças, pelo menos do meu tempo, não se importavam com quem você era e cinco minutos depois da musiquinha do meu lanchinho, meu lanchinho.... eram os melhores amigos do mundo!
 Tá me matando de falta ir ao parque de diversões, aquele que meu pai me levou, aquele onde o mundo era  só meu e dele, e  pela primeira vez me ensinou enfrentar os medos, numa centopeia que se fazia passar por montanha russa, me ensinou que o céu é o limite pra quem tem força na vida, ao chutar uma bola de ar  para cima tão longe  até se perder em frente aos meus olhinhos de criança
 Tá me faltando o leite com canela que minha mãe fazia enquanto eu tomava banho e colocava o pijama comprido de flanela pra depois tomar na mamadeira aquela bebida.
Tá me fazendo falta escutar aqueles conselhos tão puros, curtos e objetivos do meu avô, geralmente vindos com exemplos bem rurais. E ao ver que tinha entendido passar a mão na minha cabeça, balançando os cabelos que eram tão rebeldes quanto o dele.
 Tá me fazendo falta ser cuidado, simplesmente cuidado, sem obrigações de um adulto, sem frieza, desdém ou qualquer segunda, terceira ou quarta intenção.
 Tá me faltando ser gente, ter sentimentos de gente, ver gente ter sentimentos comigo. Tá faltando sentimento na sociedade.
 Tá faltando taaaaaanta coisa.....

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